O dólar passou a operar perto da estabilidade, nesta quarta-feira (20/5), em um dia no qual os investidores voltam as atenções para o cenário internacional, com a divulgação da ata da última reunião do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos) e dos resultados trimestrais da Nvidia, gigante norte-americana na fabricação de chips para computadores e dispositivos móveis e empresa mais valiosa do mundo.
No ambiente doméstico, o cenário eleitoral segue no topo das preocupações do mercado. Na véspera, uma nova pesquisa sobre a corrida pelo Palácio do Planalto mostrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um eventual segundo turno da disputa – após o vazamento de áudios do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Dólar
- Às 11h06, o dólar subia 0,01%, a R$ 5,041, praticamente estável.
- Mais cedo, às 10h48, a moeda norte-americana avançava 0,2% e era negociada a R$ 5,051.
- Na cotação máxima do dia até aqui, o dólar bateu R$ 5,058. A mínima é de R$ 5,026.
- No dia anterior, o dólar terminou a sessão em alta de 0,85%, cotado a R$ 5,04.
- Com o resultado, a moeda dos EUA acumula ganhos de 1,79% em maio e perdas de 8,17% frente ao real em 2026.
Ibovespa
- O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), operava em alta firme no pregão.
- Às 11h57, o Ibovespa avançava 1,6%, aos 177 mil pontos.
- Na véspera, o indicador fechou o pregão em forte queda de 1,52%, aos 174,2 mil pontos. Foi o menor patamar desde janeiro.
- Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula perdas de 6,96% no mês e valorização de 8,16% no ano.
Ata do Federal Reserve
O principal foco de atenção dos investidores, nesta quarta-feira, tanto no mercado doméstico quanto no cenário global, é a divulgação da ata da última reunião do Fed, o Banco Central dos EUA.
O documento pode indicar “pistas” sobre a futura trajetória da taxa básica de juros na maior economia do mundo. Na última reunião do Fed, no fim de abril, os juros foram mantidos inalterados, no patamar entre 3,5% e 3,75% ao ano. Nas duas reuniões anteriores do Fed, em janeiro e março, os juros também haviam sido mantidos nessa faixa.
A taxa básica de juros é o principal instrumento dos bancos centrais para controlar a inflação. Quando a autoridade monetária mantém os juros elevados, o objetivo é conter a demanda aquecida, o que se reflete nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem conter a atividade econômica.
A decisão do BC dos EUA não foi unânime. Foram oito votos a favor da manutenção do patamar atual dos juros (Jerome Powell, John Williams, Michael Barr, Michelle Bowman, Lisa Cook, Philip Jefferson, Anna Paulson e Christopher Waller) e quatro contrários (Stephen Miran, Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan).
O próximo encontro da autoridade monetária para definir a taxa de juros está marcado para os dias 16 e 17 de junho, já sem o atual presidente do Fed, Jerome Powell, no comando do BC dos EUA. Seu mandato terminou no dia 15 de maio, mas ele segue como presidente interino até a posse do novo chefe do órgão, Kevin Warsh, indicado por Donald Trump e aprovado pelo Senado. Ainda não há data definida para que ele seja empossado no cargo.
Nas últimas semanas, o mercado voltou a temer uma nova alta na taxa de juros da economia norte-americana. De acordo com a plataforma FedWatch, do CME Group, a expectativa para a próxima reunião do Fed é de manutenção dos juros na faixa atual. Até o fim do ano, porém, já aumentou a probabilidade de início de um novo ciclo de altas.
Nvidia divulga balanço
Ainda no front externo, os investidores monitoram a divulgação dos resultados financeiros trimestrais da Nvidia, a empresa mais valiosa do mundo e gigante dos semicondutores para inteligência artificial (IA).
O balanço da companhia, aliás, deve indicar o tom das perspectivas para o setor de IA nos próximos meses, se mais favorável ou pessimista. As principais projeções de Wall Street apontam para um resultado sólido da fabricante de chips.
Neste momento, a Nvidia continua sendo a maior ação do mercado, respondendo por quase 20% da alta do índice S&P 500 em 2026. Outras quatro fabricantes de chips – Micron Technology, Broadcom, Advanced Micro Devices e Intel – aparecem entre as sete empresas que mais alavancaram o S&P 500 no ano.
Eleições no Brasil
No Brasil, a disputa eleitoral continua dominando o mercado e concentrando atenção cada vez maior, à medida que novas pesquisas eleitorais vêm sendo divulgadas.
Nessa terça-feira (19/5), uma pesquisa AtlasIntel/Bloomberg apontou que Lula lidera as intenções de voto no primeiro e no segundo turnos das eleições contra Flávio Bolsonaro após a divulgação de conversas entre o senador e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. As vantagens chegam a 12,7 e 7,1 pontos percentuais, respectivamente.
Na pesquisa anterior da AtlasIntel, realizada em abril, Lula aparecia com 46,6%, e Flávio Bolsonaro somava 39,7% – ou seja, o senador registrou queda de 5,4 pontos percentuais entre os dois levantamentos.
Sem Flávio na disputa, o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) aparece em segundo, com 17% das intenções de voto. Nesse cenário, Lula lidera com 46,7%.
Na sondagem anterior, realizada em abril, os dois estavam tecnicamente empatados, com leve vantagem de Flávio Bolsonaro, que tinha 47,8%, enquanto Lula somava 47,5%.
O levantamento mostra que 95,6% dos entrevistados afirmaram ter ficado sabendo do áudio e 65,2% disseram que as informações não os surpreenderam. Para 45,1%, a divulgação enfraqueceu “muito” a candidatura de Flávio Bolsonaro, quando 19% dizem ter enfraquecido “pouco”.
A pesquisa foi realizada após a notícia publicada pelo site Intercept Brasil, na última quarta-feira (13/5), que mostrou que o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, pagou cerca de R$ 61 milhões para financiar o filme biográfico Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Os recursos foram solicitados por Flávio Bolsonaro, filho de Bolsonaro e pré-candidato do PL à Presidência da República.
Além do impacto político, o episódio trouxe consequências econômicas. Assim que a reportagem foi publicada com o áudio do pedido e das cobranças de Flávio a Vorcaro, o Ibovespa, principal indicador do desempenho das ações negociadas na B3, despencou – e o dólar engatou forte alta, terminando a sessão novamente na casa dos R$ 5, em um dia que ficou conhecido como “Flávio Day 2” no mercado.
O primeiro “Flávio Day” ocorreu em dezembro do ano passado, quando o senador foi escolhido por Jair Bolsonaro como candidato ao Palácio do Planalto – e a notícia derrubou a Bolsa, com um tombo de mais de 4% na ocasião. À época, o nome preferido pelo mercado para a corrida presidencial era o do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Na terça-feira, o colunista Igor Gadelha, do Metrópoles, informou, em primeira-mão, que Flávio Bolsonaro visitou Daniel Vorcaro no fim de 2025, logo após a primeira prisão do dono do Banco Master pela Polícia Federal (PF).
A visita, segundo apurou a coluna, aconteceu na residência do banqueiro em São Paulo, quando ele já havia deixado a prisão e foi autorizado a ir para casa com algumas restrições.
A aliados, o próprio Flávio já havia admitido a visita a Vorcaro. O senador alegou que visitou o banqueiro para informar que não faria mais negócios com ele após a prisão.
Vorcaro foi preso pela primeira vez em novembro de 2025. Ele foi detido pela PF no Aeroporto de Guarulhos em São Paulo, quando tentava embarcar para o exterior.
O banqueiro, entretanto, foi solto pouco tempo depois. Na ocasião, a decisão foi dada pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), sediado em Brasília.
Apesar da liberdade, o dono do Banco Master teve algumas restrições impostas. Entre elas, o uso da tornozeleira eletrônica e a apresentação periódica à Justiça.
O banqueiro foi preso novamente em 4 de março de 2026. Desta vez, por ordem do ministro do STF André Mendonça, que alegou “risco concreto de interferência nas investigações”.
Na ocasião, foi descoberto que Vorcaro mantinha uma espécie de milícia pessoal, com acesso a dados sigilosos da PF, comandada por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”.
Após a reportagem, Flávio confirmou a visita a Vorcaro em pronunciamento à imprensa feito após uma reunião com deputados e senadores do PL, na terça-feira (19/5), em Brasília. O senador, porém, não deu detalhes.
“Fui sim até o encontro dele. Ele estava restrito e não podia sair do estado de São Paulo, então fui até ele. (…) Eu fui sim ao encontro dele para botar um ponto final nessa história. Dizer que, se ele tivesse me avisado que a situação era grave como essa, eu já teria ido atrás de outro investido há muito mais tempo e o filme não correria risco”, afirmou.
Fonte: Metrópoles/Foto: Olena Malik/Getty Images




