Dólar sobe à espera de Fed e Copom, com big techs e guerra. Bolsa cai

Publicado em

O dólar passou a operar em alta, nesta quarta-feira (29/4), dia em que as atenções do mercado financeiro estão voltadas para as decisões sobre a taxa básica de juros no Brasil e nos Estados Unidos.

O grande destaque do dia são os anúncios do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) e do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA) sobre os juros.

A tendência é a de um corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros (Selic) no Brasil, atualmente em 14,75% ao ano. Nos EUA, o mercado espera que os juros permaneçam inalterados, no intervalo entre 3,5% e 3,75%.

Os investidores também monitoram, com preocupação, a nova escalada entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o regime do Irã. Apesar dos esforços diplomáticos em prol das negociações entre norte-americanos e iranianos pelo fim dos conflitos no Oriente Médio, a percepção do mercado, neste momento, é a de que um acordo ainda está distante.

A situação foi agravada pelo anúncio feito pelos Emirados Árabes Unidos, na véspera, de que vão deixar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e a aliança ampliada Opep+, a partir de 1º de maio. A notícia aumentou a volatilidade no mercado global de energia e levantou dúvidas sobre o futuro da coordenação da oferta de petróleo entre grandes produtores.

Por fim, o mercado acompanha a divulgação de balanços financeiros das big techs, com destaque para Alphabet (dona do Google), Meta (dona do Facebook), Microsoft e Amazon, cujos resultados serão conhecidos após o fechamento do mercado.


Dólar

  • Às 14h04, o dólar subia 0,41%, a R$ 5,002.
  • Mais cedo, às 12h54, a moeda norte-americana avançava 0,45% e era negociada a R$ 5,005.
  • Na cotação máxima do dia até aqui, o dólar bateu R$ 5,006. A mínima é de R$ 4,979.
  • Na véspera, o dólar terminou a sessão em leve queda de 0,01%, cotado a R$ 4,982, praticamente estável.
  • Com o resultado, a moeda dos EUA acumula perdas de 3,8% no mês e de 9,24% no ano frente ao real.

Ibovespa

  • O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), operava em queda firme no pregão.
  • Às 14h07, o Ibovespa recuava 1,5%, aos 185,7 mil pontos.
  • No dia anterior, o indicador fechou o pregão em queda de 0,51%, aos 188,6 mil pontos.
  • Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula valorização de 0,62% em abril e de 17,06% em 2026.

“Superquarta” movimenta o mercado

Os mercados de câmbio e ações seguem sob forte expectativa em torno das decisões sobre juros no Brasil e nos EUA. Elas serão anunciadas nesta quarta-feira, a chamada “superquarta” – termo usado no mercado financeiro para o dia em que coincidem as divulgações das taxas básicas de juros nos dois países.

No caso do Copom, apesar das incertezas em torno da guerra, a maior parte dos agentes econômicos aposta em um corte de 0,25 ponto percentual da Selic, hoje fixada em 14,75% ao ano.

Apesar de a inflação acumulada em 12 meses estar em 4,14%, ainda dentro do intervalo de tolerância da meta, parte do mercado financeiro avalia que há margem para continuidade no ciclo de cortes.

A Warren Investimentos projeta redução na próxima decisão, embora acompanhada de comunicação mais conservadora. Na prática, isso significa corte menor, de 0,25 ponto percentual, com sinalização de cautela.

Segundo a instituição, o Copom deve repetir o tom adotado na última ata, reforçando a necessidade de prudência diante das incertezas. A expectativa é de que o BC também enfatize o desconforto com a desancoragem das expectativas de inflação.

Esse posicionamento tende a sustentar a visão de trajetória de cortes mais limitada, com a Selic encerrando o ano próxima de 13%.

Segundo o economista do ASA Investiments Leonardo Costa, o comunicado do Copom deve reconhecer o arrefecimento parcial das tensões geopolíticas no Oriente Médio, mas reforçar que os efeitos do choque sobre inflação corrente e expectativas ainda estão se materializando sobre os dados, sem que a melhora na fonte do choque se traduza em alívio concreto nas variáveis relevantes para a política monetária.

Nos EUA, a novidade é que a reunião do Fed deve ser a última realizada com Jerome Powell como presidente do da autoridade monetária – seu mandato expira em 15 de maio. Ele será substituído por Kevin Warsh, escolhido para o cargo por Donald Trump.

Na última reunião do Fed, em março, os juros foram mantidos no patamar entre 3,5% e 3,75% ao ano, acompanhando as projeções da maioria dos analistas do mercado.

A taxa básica de juros é o principal instrumento dos bancos centrais para controlar a inflação. Quando a autoridade monetária mantém os juros elevados, o objetivo é conter a demanda aquecida, o que se reflete nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem conter a atividade econômica.

Neste momento, praticamente a totalidade do mercado aposta na manutenção dos juros no patamar atual. Segundo a plataforma FedWatch, 100% dos analistas acreditam que não haverá alterações na taxa. O corte é descartado.

Emirados Árabes deixam a Opep

O anúncio dos Emirados Árabes, feito nessa terça-feira (28/4), ocorre em um momento de forte instabilidade geopolítica no Oriente Médio, diante da guerra entre EUA e Irã, com impactos diretos sobre rotas estratégicas de escoamento, como o Estreito de Ormuz – ponto por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial.

A manobra também é interpretada como uma tentativa de Abu Dhabi de ampliar a autonomia produtiva e acelerar investimentos no setor energético.

A Opep, responsável atualmente por cerca de 30% a 40% da produção global de petróleo, vinha atuando em conjunto com aliados da Opep+ para controlar a oferta e influenciar os preços internacionais.

A saída dos Emirados, terceiro maior produtor do grupo, é vista como um enfraquecimento relevante dessa coordenação.

Em comunicado, o ministro de Energia dos Emirados, Suhail Al Mazrouei, afirmou que a decisão reflete uma mudança estratégica de longo prazo.

“Esta decisão reflete a visão estratégica e econômica de longo prazo dos Emirados Árabes Unidos e o perfil energético em evolução, incluindo o investimento acelerado na produção doméstica de energia”, disse.

Trump reage a chanceler alemão sobre Irã

O presidente dos EUA, Donald Trump, reagiu às declarações do chanceler alemão, Friedrich Merz, que afirmou que o país estaria sendo “humilhado” pelo Irã.

Em uma publicação na rede Truth Social, Trump disse que o chanceler alemão “parece achar aceitável que o Irã tenha uma arma nuclear”. “Ele não sabe do que está falando. Se o Irã possuísse armamento nuclear, todo o planeta estaria sob ameaça”, escreveu.

Sem mencionar diretamente Merz, em outro trecho, o presidente norte-americano afirmou que está tomando medidas que, segundo ele, deveriam ter sido adotadas por outras nações há muito tempo. Ele também criticou a Alemanha, sugerindo que o país atravessa um momento negativo.

“Eu estou fazendo algo com o Irã, agora, que outras nações, ou presidentes, deveriam ter feito há muito tempo. Não é à toa que a Alemanha está indo tão mal, tanto economicamente quanto de outras maneiras!”, escreveu Trump.

Na última segunda-feira (27/4), Merz havia feito críticas à atuação dos EUA, apontando tentativas de se afastar de um conflito iniciado sem metas bem definidas. Ele também descreveu os iranianos como “negociadores habilidosos”.

Trump ameaça Irã com IA

Donald Trump usou uma imagem feita com inteligência artificial (IA) para fazer novas ameaças ao Irã, nesta quarta-feira (29/4). Na foto, o presidente dos EUA aparece segurando um fuzil com explosões ao fundo. “Chega de ser bonzinho”, diz o texto.

“O Irã não consegue se organizar. Eles não sabem como assinar um acordo não nuclear. É melhor ficarem espertos!”, escreveu na legenda do post na rede social Truth Social.

EUA e Irã ainda não conseguiram chegar a um acordo para terminar a guerra. A expectativa é que Teerã apresente uma nova proposta aos mediadores no Paquistão nos próximos dias.

No último sábado (25/4), o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, se encontrou com o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, em Islamabad. A delegação americana desistiu da viagem ao país.

Segundo agência estatal iraniana, Araghchi entregou uma lista ao Paquistão com pontos considerados inegociáveis pelo governo iraniano.

Por enquanto, o cessar-fogo entre os dois países dura três semanas.

Fonte: Metrópoles/Foto: Douglas Sacha/Getty Images

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Compartilhe

Assine Grátis!

Popular

Relacionandos
Artigos

Trump usa imagem de IA para fazer nova ameaça ao Irã

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usou uma imagem...

Ramon Dino aponta qual é o seu maior adversário na defesa do título do Mr. Olympia: “Único rival”

Ramon Dino iniciou a preparação para a defesa do...

Promotor que comparou advogada a cadela é multado em metade da aposentadoria

O CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público) decidiu, nesta...

Apenas 17% de creches e pré-escolas têm itens básicos para funcionar

Em todo o país, menos de duas em cada...