Eleitores manauaras vão às urnas neste domingo (6) para decidir entre a continuidade da gestão do prefeito David Almeida (Avante), que disputa a reeleição, e a mudança defendida por outros seis candidatos: Amom Mandel (Cidadania), Alberto Neto (PL), Gilberto Vasconcelos (PSTU), Marcelo Ramos (PT), Roberto Cidade (União Brasil) e Wilker Barreto (Mobiliza).
Os eleitores também vão escolher entre 833 candidatos os 41 vereadores que terão a missão de propor, discutir e aprovar leis que irão impactar a vida de quem vive em Manaus, além de fiscalizar as ações do Poder Executivo, que terá R$ 40 bilhões (média de R$ 10 bilhões por ano, conforme estimativas da prefeitura) para tentar solucionar os principais problemas da cidade.
Manaus é a quinta cidade mais rica do país, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mas sofre problemas “crônicos”, como os problemas de mobilidade urbana, a falta de transporte público de qualidade e a insuficiência das políticas públicas habitacionais.
Todas essas questões estão presentes há muitos anos no dia a dia do cidadão que vive em Manaus e são indissociáveis das decisões tomadas pelo gestor público. É por esse motivo que o eleitor deve ser criterioso na escolha dos representantes. O critério principal é “saber se o conjunto de políticas adotados durante o primeiro mandato permitiu satisfazer as necessidades dos habitantes da cidade”, como explica o cientista político Marcelo Seráfico.
“Ocorre que candidatos, sejam eles quem forem, se elegem com a maioria dos votos, todavia, nem sempre governam priorizando a satisfação das necessidades e a garantia dos direitos da maioria dos eleitores. Para saber para quem eles de fato governam é preciso observar objetivamente como o investimento público municipal repercutiu sobre a melhoria das condições de vidas dos habitantes da cidade”, afirma Marcelo Seráfico.
“Isto é, cabe averiguar as melhorias no atendimento básico de saúde, na educação, na moradia, no saneamento, no acesso à cultura, ao desporto, ao transporte público, ao lazer, a uma cidade em que a natureza (os rios, florestas, lagos, fauna etc.) seja protegida dos processos de poluição e degradação e em que o patrimônio histórico seja visto como parte da vida dos cidadãos e cidadãs, não como ruínas do passado”, completou Marcelo.
Neste ano, 1.446.315 eleitores estão aptos a votar em Manaus, conforme dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). O número é 7,92% maior que na eleição de 2020 (1.331.613 eleitores). Os votantes estão distribuídos em 479 locais de votação, em 13 zonas eleitorais.
A escolha da maioria dos que forem às urnas neste domingo irá impactar diretamente a vida de 2,2 milhões de habitantes da capital. O número equivale a mais da metade dos cidadãos amazonenses (4,2 milhões).
A concentração da população em Manaus está relacionada com a centralização econômica. Manaus abriga as empresas que são beneficiadas com incentivos fiscais da ZFM (Zona Franca de Manaus). Cerca de 500 companhias geram 500 mil empregos diretos e indiretos, conforme estudo da FGV (Fundação Getúlio Vargas).
Apesar da boa posição econômica, a capital amazonense enfrenta problemas de infraestrutura, que incluem dificuldades na mobilidade urbana, déficit habitacional e falta de saneamento básico. A degradação ambiental também é uma das consequências do crescimento desordenado da cidade, que avança sobre florestas.
Candidatos
Em 50 dias de campanha, os candidatos a prefeito tiveram a oportunidade de expor ideias e propor soluções para os problemas da capital amazonense. O ATUAL, em parceria com outros cinco sites de notícias, entrevistou todos os sete candidatos a prefeito. As sabatinas estão disponíveis no Youtube.
Para o cientista político Marcelo Seráfico, após o período destinado à campanha eleitoral, o cidadão, além de avaliar se as políticas públicas adotadas nos últimos quatro anos tiveram eficácia na vida da população, deve ficar atento aos candidatos que se apresentam como “heróis civilizatórios”, que são capazes de tudo, até mentir, para ganhar a eleição. O alerta vale tanto para os candidatos a prefeito como para os candidatos a vereador.
“O fato de candidatos se apresentarem como heróis civilizatórios sugere que eles podem estar dispostos a usar de todos os meios para atingir seus fins. Muitos dos objetivos dos prefeitos, para serem atingidos, necessitam da aprovação da Câmara Municipal e, por vezes, do crivo da Justiça”, disse o cientista político.
“Grave e desonesta, também, é a postura de candidatos a vereança cujas plataformas envolvem obrigações que são dos Prefeitos. Portanto, é importante que o eleitor fique atento para essas formas de ilusionismo político e, mais ainda, para a natureza das articulações entre os poderes Executivo e Legislativo para governar”, completou Marcelo.
O cientista faz críticas aos candidatos que apresentam projetos mirabolantes e não explicam como pretendem viabilizá-los. Para Marcelo, esses candidatos agem como “gerentes de uma empresa cujas atividades não têm redundado nos benefícios pretendidos”.
“À exceção do PSTU e de vários candidatos a vereança vinculados ao PSOL e ao PT, todos os demais falam em nome de um público abstrato, os eleitores, não das necessidades e interesses vinculados aos grupos, camadas e classes sociais que sustentam suas candidaturas ou aos quais dirigem suas propostas”, disse Seráfico.
“No caso dos candidatos que se apresentam como conservadores, cabe mencionar, seu apelo é, em geral, aos evangélicos neopentecostais. Olhando dessa maneira, no processo eleitoral parece predominar a intencional imprecisão de compromissos políticos e econômicos, o que implica escamotear interesses”, completou o cientista social.
Foto: Reprodução/ *AM Atual




