Em meio a guerras, Leão XIV pede a Cristo que “conceda a paz ao mundo”

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O papa Leão XIV refletiu sobre os sofrimentos e injustiças do mundo e pediu a Cristo que “conceda a paz ao mundo” durante a homilia de sua primeira missa de Domingo de Páscoa, neste domingo (5/4), no Vaticano.

“E somos nós, ressuscitados com Cristo, que devemos levá-lo pelas estradas do mundo. Corramos, pois, como Maria Madalena, anunciemos-lo a todos, levemos com a nossa vida a alegria da ressurreição, para que, onde quer que ainda pare o espectro da morte, possa brilhar a luz da vida. Que Cristo, nessa Páscoa, nos abençoe e conceda a sua paz ao mundo inteiro“, declarou.

A homilia ocorre em um contexto marcado por crises internacionais, especialmente a escalada de tensões no Oriente Médio envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel. O papa ressaltou o impacto da violência global.

Com a Praça de São Pedro lotada de fiéis, a cerimônia iniciou-se pontualmente às 5h15 (horário de Brasília).

A missa, presidida em latim, teve início com a tradicional bênção inicial do papa Leão XIV e contou com a presença de cerca de 50 mil pessoas dentro da Praça de São Pedro e outras 10 mil fora dela. Diante do ícone de Jesus ressuscitado, o pontífice venerou e incensou a imagem do Senhor, inaugurando a celebração pascal.

Os primeiros fiéis começaram a chegar ainda nas primeiras horas da manhã para acompanhar a celebração pascal, que ocorre sob um forte contexto de tensões geopolíticas que atravessam o cenário internacional.

Bênção Urbi et Orbi

Durante a bênção Urbi et Orbi, o pontífice fez um pronunciamento marcado por apelos à paz, mencionando conflitos armados em diferentes regiões do mundo e reforçando críticas à violência e à indiferença diante das guerras.

Em sua fala, o Leão XIV afirmou: “quem tem armas nas mãos que as deponha, quem tem o poder de desencadear guerras que opte pela paz, não uma paz conseguida com a força, mas com diálogo”.

Ele acrescentou que “não com a vontade de dominar o outro, mas de o encontrar”, em referência à necessidade de soluções negociadas para os conflitos.

Leão XIV também recorreu ao legado do papa Francisco ao retomar a expressão “globalização da indiferença”, destacando que a sociedade não pode se acostumar à violência. Segundo ele, “não podemos continuar indiferentes, não podemos resignar-nos ao mal”, em um apelo por maior responsabilidade coletiva diante das crises humanitárias.

O pontífice ainda afirmou que a verdadeira paz se constrói a partir de relações respeitosas e do compromisso com o bem comum, defendendo que a cooperação entre povos e nações é o caminho para enfrentar os desafios globais atuais.

Primeira Páscoa, em anos, sem Francisco

A celebração deste ano representa também uma ruptura histórica recente: é a primeira Páscoa, em mais de uma década, que não tem como principal celebrante o papa Francisco.

Entre 2013 e 2024, o argentino presidiu as missas pascais — mesmo em condições adversas, como durante a pandemia de Covid-19 — e, em 2025, embora debilitado, ainda participou da tradicional bênção “Urbi et Orbi”, um dia antes de sua morte. Francisco faleceu em 21 de abril de 2025.

Agora, sob a liderança de Leão XIV, a celebração mais importante do calendário cristão ganha novos contornos. A missa será seguida pela bênção “Urbi et Orbi”, quando o papa tradicionalmente dirige uma mensagem ao mundo — frequentemente marcada por apelos à paz e reflexões sobre crises contemporâneas.

A homilia e, sobretudo, a mensagem que antecede a bênção “Urbi et Orbi”, são vistas como momentos-chave para entender o posicionamento do novo pontífice diante de conflitos globais, incluindo a guerra na Ucrânia, o conflito em Gaza e o confronto entre Estados Unidos, Israel e Irã.

Na Sexta-feira Santa que antecedeu o domingo pascal, Leão XIV já havia reforçado esse tom ao participar da tradicional Via-Sacra no Coliseu, em Roma, conduzindo a cruz pelas 14 estações.

Fonte: Metrópoles/Foto: Reprodução/Vatican News

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