Médico colombiano é indiciado por estupro de vulnerável

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A Polícia Civil do RJ indiciou nesta segunda-feira (23) o médico colombiano Andres Eduardo Oñate Carrillo por estupro de vulnerável no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, o Hospital do Fundão, da UFRJ. O caso aconteceu em 5 de fevereiro de 2021.

Após ser preso, há uma semana, Andres admitiu, em depoimento à polícia, ter estuprado duas mulheres: uma no Fundão e outra no Hospital Estadual dos Lagos, em Saquarema. Como são cidades e comarcas diferentes, a polícia precisou abrir dois inquéritos separados.

No caso de Saquarema, em 15 de dezembro de 2020, a polícia também investiga Andres por exercício ilegal da profissão. Há ainda um terceiro inquérito em andamento contra Andres, por exploração sexual infantil.

O delegado Luiz Henrique Marques, titular da Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (Dcav), informou que pedirá à Justiça a conversão da prisão provisória de Andres (inicialmente fixada em 30 dias e mantida na audiência de custódia) em preventiva, sem prazo.

Estupro no Fundão como estagiário

De acordo com o inquérito, quando participou da cirurgia no Hospital Universitário da UFRJ, o Hospital do Fundão, Andres estava terminando um curso de especialização em anestesia e foi escalado como estagiário.

De acordo com o depoimento do chefe da anestesia do Hospital do Fundão, naquela condição Andres não tinha autorização para atuar como médico em nenhum hospital do território nacional — muito menos para anestesiar alguém.

O coordenador explicou à polícia que, para ser habilitado, Andres deveria ter prestado o Revalida, prova que certifica estrangeiros que atuam no Brasil, para só então conseguir o registro no Conselho Regional de Medicina. O colombiano teria, ainda, que fazer uma outra prova na Sociedade Brasileira de Anestesiologia.

Em 2021, portanto, Andres só poderia observar o procedimento, sob supervisão de uma anestesista.

Vítima: ‘É um monstro’

No dia 5 de fevereiro daquele ano, uma mulher de cerca de 55 anos se internou no Fundão para uma cirurgia de retirada de útero.

Ela contou que ficou mais tempo desacordada do que o previsto e que demorou a retomar os sentidos.

“Eu não estava conseguindo nem falar quando eu voltei. Eu lembro que a minha filha ficava fazendo perguntas. ‘Por que a minha mãe está assim?’. E o doutor falou assim: ‘Tem um tipo de cirurgia que a gente tem que dar um pouco mais de anestesia porque é prolongada. Foi a cirurgia da sua mãe’”, contou a paciente.

“Ele estudou o quê? Pra ser bicho, para ser monstro ou ele estudou para ser médico? Que pra mim um homem desse não é médico não. Pra mim uma pessoa dessa é um monstro”, afirmou a vítima.

A médica que estava com Andres no dia do estupro no Fundão também foi ouvida pela polícia. Ela contou que em momento algum o colombiano ficou sozinho na sala, mas que ela “pode ter saído por breves momentos”.

Exercício ilegal em Saquarema

Com base no depoimento do chefe de Andres no Fundão, a polícia acredita que o colombiano estava irregular dois meses antes, no hospital estadual em Saquarema.

A médica que operou com ele prestou depoimento e disse que “Andres sempre substituía uma colega”.

Já essa amiga substituída disse na delegacia que o coordenador sabia das trocas e que ela pagou R$ 2 mil por 24 horas a Andres.

“Precisa ser confirmado, mas o Cremerj informou que no período de 2020 e 2021 ele não era habilitado pelo CRM, então precisa ser diligenciado. Mas a atuação dele pode ser ilegal, o que geraria para ele aí mais um crime, que é o exercício ilegal da medicina”, disse o delegado Luiz Henrique Marques.

“A identificação das vítimas foi possível em razão das informações de metadados existentes nos vídeos onde aparecem os estupros. Os hospitais também colaboraram, passando informações. As características das vítimas, horário e, conjugando com as informações dos metadados, foi possível identificar as vítimas. E foram chamadas à delegacia para depoimento, onde elas confirmaram a identificação e ficaram cientes do estupro”, disse o delegado.

Na terça-feira (17), a Justiça do Rio de Janeiro manteve na audiência de custódia a prisão de Andres. A decisão foi da juíza Mariana Tavares Shu.

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