Médico preso por estupro não tinha registro e não poderia anestesiar na época dos abusos, diz ex-chefe

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O anestesista colombiano Andres Eduardo Oñate Carrillopreso por estupro de vulnerável e investigado por exploração sexual infantil, também pode responder por exercício ilegal da profissão.

De acordo com o inquérito, quando participou da cirurgia no Hospital Universitário da UFRJ, o Hospital do Fundão, em 2020, Andres estava terminando um curso de especialização em anestesia e foi escalado como estagiário.

De acordo com o depoimento do chefe da anestesia do Hospital do Fundão, naquela condição Andres não tinha autorização para atuar como médico em nenhum hospital do território nacional — muito menos para anestesiar alguém.

O coordenador explicou à polícia que, para ser habilitado, Andres deveria ter prestado o Revalida, prova que certifica estrangeiros que atuam no Brasil, para só então conseguir o registro no Conselho Regional de Medicina. O colombiano teria, ainda, que fazer uma outra prova na Sociedade Brasileira de Anestesiologia.

Em 2020, portanto, Andres só poderia observar o procedimento, sob supervisão de uma anestesista.

A médica que estava com Andres no dia do estupro no Fundão também foi ouvida pela polícia. Ela contou que em momento algum o colombiano ficou sozinho na sala, mas que ela “pode ter saído por breves momentos”.

Titular em Saquarema

No hospital estadual em Saquarema, Andres também estava irregular, segundo a investigação.

A médica que operou com ele prestou depoimento e disse que “Andres sempre substituía uma colega”.

Já essa amiga substituída disse na delegacia que o coordenador sabia das trocas e que ela pagou R$ 2 mil por 24 horas a Andres.

“Precisa ser confirmado, mas o Cremerj informou que no período de 2020 e 2021 ele não era habilitado pelo CRM, então precisa ser diligenciado. Mas a atuação dele pode ser ilegal, o que geraria para ele aí mais um crime, que é o exercício ilegal da medicina”, disse o delegado Luiz Henrique Marques.

Em depoimento, ele confessou ter estuprado mulheres que estavam na mesa de cirurgia e ter produzido e armazenado vídeos de pornografia infantil. Andres se gravou abusando as pacientes.

“A identificação das vítimas foi possível em razão das informações de metadados existentes nos vídeos onde aparecem os estupros. Os hospitais também colaboraram, passando informações. As características das vítimas, horário e, conjugando com as informações dos metadados, foi possível identificar as vítimas. E foram chamadas à delegacia para depoimento, onde elas confirmaram a identificação e ficaram cientes do estupro”, disse o delegado.

Na terça-feira (17), a Justiça do Rio de Janeiro manteve na audiência de custódia a prisão de Andres. A decisão foi da juíza Mariana Tavares Shu.

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