Mulher fica com fibrose na barriga após fazer mini lipo: ‘Quase ninguém fala que isso pode acontecer’

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A enfermeira Stefani Kariny Lima Medeiros, de Tucuruí (PA), estava começando a trabalhar como influenciadora digital quando recebeu uma proposta: em troca de divulgação nas redes sociais, ganharia uma mini lipoaspiração no abdômen. Aos 23 anos, Kariny nem sequer se incomodava com a barriga, que define como uma “pochetinha”, mas topou.

O pós-operatório também entrou na permuta, quando uma esteticista sem vínculo com o médico se ofereceu para cuidar dela. Medeiros documentava tudo para postar na internet e percebeu, nos primeiros dias depois da cirurgia, que algo estava errado. A barriga ficou endurecida, com ondulações visíveis sob a pele. Além disso, o tratamento após a cirurgia causou uma queimadura que chegou a formar bolha.

No 28º dia de pós-operatório, a esteticista afirmou que o abdômen havia formado fibrose, e ela não sabia como reverter. Medeiros, então, procurou uma segunda profissional, desta vez indicada pelo médico que fez o procedimento. Não teve melhora.

“Um jogou a responsabilidade para o outro. O médico dizia que o problema foi o cuidado no pós-operatório. E a profissional que cuidou do pós-operatório falou que a lipo foi feita muito superficialmente”, diz a enfermeira.

O procedimento ocorreu em 2019. Com o tempo, as manchas da queimadura clarearam. No entanto, as ondulações da fibrose ficaram mais evidentes com o ganho de peso. “Eu cheguei a fazer carboxiterapia pra tentar reverter, mas não ajudou muito. Parece que tem uma lixa apertando a barriga. A pele não estica, e dói”, diz ela.

Segundo o cirurgião plástico Daniel Regazzini, diretor de comunicação da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), fibrose não é necessariamente sinônimo de erro. “Toda cicatriz causa um endurecimento”, aponta. Quando uma lipoaspiração é realizada, o trauma interno no tecido adiposo desencadeia uma resposta inflamatória natural do organismo, parte do processo de cicatrização.

Como evitar a fibrose

Algumas estratégias ajudam a evitar que a fibrose excessiva aconteça. Para Regazzini, a primeira delas é escolher o especialista adequado. “O cirurgião plástico sabe prevenir e tratar esse estado de fibrose mais endurecido. O mais importante é ter um cirurgião que conheça a técnica e faça uma lipoaspiração sem exagero, de preferência utilizando cânulas mais finas”, afirma.

O médico que realizou o procedimento em Medeiros não era cirurgião plástico, mas cirurgião geral. A lipo, segundo profissionais que analisaram o vídeo postado pela enfermeira nas redes sociais, teria sido feita de forma muito superficial.

Outro ponto é que o uso de dispositivos de energia exige cautela. De acordo com o médico da SBCP, tecnologias como BodyTite, Renuvion e similares podem intensificar a resposta fibrótica quando mal indicadas. No pós-operatório da enfermeira, uma esteticista utilizou um aparelho de ultrassom que, segundo profissionais que viram o vídeo, não deveria ter sido aplicado naquele momento.

Regazzini afirma que uma estratégia eficaz para evitar a fibrose excessiva é a fisioterapia com manipulação tecidual profunda, voltada para liberar as aderências antes que se tornem permanentes. “Em qualquer aparecimento de irregularidade no pós-operatório, tem que acender a luz amarela”, alerta.

Nos casos mais graves, pode ser necessário recorrer a corticosteroides, laser ou ultrassom, indicado quando a gordura parada se acumula entre as cicatrizes e precisa ser redistribuída.

A enfermeira acredita que, no seu caso, o resultado ruim tenha sido causado pela somatória dos fatores. Sete anos depois do procedimento, ela teme que a sequela atrapalhe uma gestação. “Uma seguidora me contou que sofreu muito quando engravidou porque [a pele] ficava repuxando”, diz.

Medeiros conta que esperou todo esse tempo para falar sobre o assunto, em parte pela frustração, em parte pelo sentimento de que não tinha o direito de reclamar de algo que havia ganhado de graça. “Eu me sentia ingrata. Como eu ia falar mal deles? Só que hoje estou mais madura”, afirma.

Quando fez o relato nas redes sociais, ouviu histórias parecidas. “Poucas pessoas falam sobre os riscos. Quase ninguém diz que isso pode acontecer”, aponta.

Fonte: Revista Marie Claire/Foto: Reprodução/Instagram

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