Pedidos de brasileiros disparam e vistos para Portugal demoram até oito meses

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Brasileiros têm esperado até oito meses pela conclusão dos pedidos de vistos nos consulados de Portugal. É um recorde de atraso nos prazos para processos sem desfecho desde que a manifestação de interesse foi extinta, em junho de 2024.

A demora em processos que levariam até 90 dias poderia ser justificada pela sobrecarga. Como revelou o Portugal Giro, os pedidos de visto aumentaram 10,6% em um ano: foram quase 25 mil em 2024.

Existem grupos de WhatsApp com centenas de participantes que se dizem prejudicados e um protesto foi marcado para o dia 22 de janeiro em frente ao consulado de Salvador.

O blog teve acesso a uma lista de brasileiros que declararam estar à espera há sete meses ou mais. A brasileira Raquel da Costa chegou a aguardar oito meses e alguns dias até ter o processo concluído em 23 de dezembro. Estava em análise desde abril de 2024, sendo que ela afirmou ter enviado tudo dentro do prazo, chegando a reenviar documentos solicitados.

Reforço nas equipes dos consulados está previsto para este ano. Até lá, a espera tem sido longa para brasileiros como Alexandre Alves, que diz ter completado ontem sete meses desde o envio do pedido dele e da mulher, Camila, para a VFS Global, empresa terceirizada.

— No dia 12 de junho, enviamos nossa documentação na esperança que o visto sairia como era previsto no próprio site da VFS, em 90 dias. O processo já está no 7º mês — diz ele.

O casal, segundo Alexandre, vendeu bens para poder embarcar juntos e acumula prejuízos. Ele conta ter pedido demissão da empresa onde trabalhava com logística e Camila se desfez do seu salão de beleza:

— Fizemos o planejamento como manda o figurino: assessoria, advogada e relocation. Vendemos carro, móveis, pedi as contas e ela fechou o salão. Para nossa infelicidade, os vistos para procura de trabalho não saíram. Tivemos perdas financeiras com passagens e aluguel, fora as oportunidades de emprego.

O visto saiu apenas em outubro para Camila. Ele conta que ela embarcou sozinha no início de dezembro para Braga, onde ganha o salário mínimo de € 870 (R$ 5,4 mil) em um salão de beleza. Mas o dinheiro, de acordo com Alexandre, não cobre o aluguel e as contas.

— Estamos completando com a nossa reserva financeira, que está indo embora — disse ele, garantindo que a VFS informa que seu pedido de visto segue em análise após cair em uma pendência, que, segundo ele, não faria sentido:

— Foi sinalizado que o valor do meu alojamento custava 50% do total que eu declarei que iria levar. Porém, minha reserva no alojamento era de R$ 5 mil. Eu declarei que iria levar R$ 20 mil. Cinco não é metade de 20, não é?

Formada em direito, Rafaela Fertunani afirmou que seu pedido de visto para procurar trabalho foi remetido em 21 de junho e caminha para o 7º mês. Seu marido, Cléber, aplicou ao mesmo tempo e recebeu a autorização de entrada em outubro.

— Eu fiz o meu processo e do meu esposo. Mesmo eu tendo um salário a mais que os três exigidos na conta bancária, tive uma pendência de hospedagem, enquanto que o visto dele chegou em outubro — disse ela, completando:

– Ajustei a hospedagem dia 11 de outubro. E até o momento não tenho retorno. O que eu acho incrível é que eu fiz o meu visto e o do meu marido com a mesma hospedagem, sendo que eu tinha mais dinheiro na conta. Enquanto o visto dele seguiu sem pendências, eu tive.

Fonte: O Globo/Foto: Filipe Amorim/AFP

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