Como crise com Alcolumbre impacta fim da 6×1 e pautas do governo

Publicado em

A rejeição do ministro Jorge Messias para ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF) abriu um novo capítulo na crise entre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Aliados do petista atribuem ao titular da Casa Alta a culpa pela derrota histórica sofrida pelo governo na última quarta-feira (29/4).

A cerca de cinco meses para as eleições, o desgaste na relação arrisca impactar pautas prioritárias para a reeleição de Lula. É o caso da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 18/2025, a chamada PEC da Segurança Pública. O Executivo tem apostado no discurso de combate à criminalidade e vê o texto como uma vitrine para reforçar a atuação na área.

A proposta, no entanto, segue parada no Senado quase dois meses após ser aprovada pela Câmara dos Deputados. Desde 10 de março, o texto aguarda o despacho de Alcolumbre para definir o relator e a forma como vai tramitar na Casa.

A PEC da Segurança prevê maior integração entre as forças da União, dos estados e do Distrito Federal, além de colocar na Constituição o Sistema Único de Segurança Pública. A expectativa do Planalto era aprovar a matéria ainda no primeiro semestre, garantindo espaço para explorar o tema eleitoralmente. Mas, diante do cenário conturbado, não há previsão de que a proposta volte a caminhar.

Fim da jornada 6×1

Outra bandeira do governo é a proposta para acabar com a jornada de trabalho 6×1 – na qual se trabalha seis dias e descansa um. O fim do modelo está em discussão na Câmara dos Deputados por meio de uma PEC que, se aprovada, será analisada pelo Senado. O Planalto também enviou um projeto de lei alternativo, em regime de urgência, para acelerar a tramitação.

Na avaliação de aliados, é pouco provável que os senadores se oponham à pauta por se tratar de um tema altamente popular e tendo em vista a disputa eleitoral, mas no Planalto há um receio sobre o enfraquecimento do texto.

A Câmara discute a possibilidade de implementar uma regra de transição que pode chegar a quatro anos. Essa hipótese tende a ser rejeitada pelo governo. O diagnóstico é de que o Executivo está aberto a negociar a transição, desde que se limite a alguns casos, a exemplo de pequenos empresários e outros setores mais impactados pela mudança. Há, ainda, pontos considerados inegociáveis. São eles: teto de 40 horas semanais, jornada 5×2, e sem redução de salário.

O temor de eventuais mudanças foi um dos motivos que levaram o governo a encaminhar um texto próprio para ser avaliado pelo Congresso. Isso porque a PEC, uma vez aprovada pelos parlamentares, não passa pelo aval do presidente – diferentemente do projeto de lei, que precisa de sanção. Na prática, a PEC tira o poder de Lula de vetar trechos que possam ser considerados prejudiciais.

*Metrópoles/ Foto:O temor de eventuais mudanças foi um dos motivos que levaram o governo a encaminhar um texto próprio para ser avaliado pelo Congresso. Isso porque a PEC, uma vez aprovada pelos parlamentares, não passa pelo aval do presidente – diferentemente do projeto de lei, que precisa de sanção. Na prática, a PEC tira o poder de Lula de vetar trechos que possam ser considerados prejudiciais.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Compartilhe

Assine Grátis!

Popular

Relacionandos
Artigos

“Enlouquecendo”: relato de Whindersson levanta alerta e mostra riscos

Um desabafo feito por Whindersson Nunes sobre os motivos que o...

Taxa de desemprego sobe para 6,1% nos três primeiros meses do ano

A taxa de desocupação subiu para 6,1% nos três primeiros...

Terceiro policial civil é preso suspeito de extorsão em Manaus

Alessandro Edwards da Cruz, investigador da Polícia Civil do...

Acordo Mercosul-UE entra hoje em vigor de forma provisória

O acordo de livre comércio entre Mercosul e União...