Custo, poucos postos e concorrência ainda inibem uso do GNV em Manaus

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Vinte anos após a implantação do sistema de conversão do motor a gasolina para o GNV (Gás Natural Veicular) nos carros, ônibus e caminhões, apenas 0,27% dos veículos em Manaus e 0,04% no interior do estado do Amazonas utilizam o gás como combustível. São 984.389 automóveis em Manaus com registro no Detran até novembro deste ano. Desses, 2.640 rodam com GNV. No interior são 251.604 veículos, sendo apenas 120 com gás veicular.

Para Marcos Castro, especialista em Geografia Urbana e professor da Ufam (Universidade Federal do Amazonas), o gás veicular é um produto que “ainda não pegou” na capital amazonense e não consegue competir com outros combustíveis – gasolina, diesel e etanol.

“A tecnologia, que é a novidade, sempre é mais cara. A adaptação de um veículo para o sistema de gás natural não é barata. Então você sempre tem o problema do valor agregado, os custos da conversão e a mão de obra. E hoje você tem carros feitos para gasolina e álcool, e nem todo mundo está disposto a fazer a conversão. Além disso, ainda não há uma estrutura ampla de abastecimento para os carros a gás em Manaus. Isso dificulta a massificação desse sistema”, avalia Marcos Castro.

O custo da conversão em Manaus varia de R$ 4 mil a R$ 13,5 mil.

Ainda segundo o professor, os carros a gás sofrem a concorrência dos carros elétricos, que também ainda não dispõem de uma estrutura ampla de serviços e manutenção.

“Essas tecnologias demandam tempo para que sejam massificadas. E a estrutura que a cidade e os governos podem oferecer têm um papel importante na massificação dos serviços”, diz Castro.

Para a economista Michele Aracaty, existem “inconvenientes financeiros” para que o dono de veículo mude para o sistema de carro a gás em Manaus.

“Eu acredito que os grandes gargalos para a adesão em massa estão na infraestrutura do serviço. Os pontos de abastecimentos estão muito distantes, o investimento da conversão ainda é caro e a renda da maioria dos consumidores é baixa. E há perda de espaço com o tanque de armazenamento dentro do carro. Isso permite que os carros tradicionais, a gasolina, continuam sendo atrativos, apesar do preço dos combustíveis”, diz Aracaty.

O tanque de gás em forma de cilindro é instalado no porta-malas do veículo, o que reduz espaço para bagagens.

Preço e kit

O custo da conversão de um carro a gasolina para gás natural depende da marca do veículo e do kit GNV. “O preço da conversão pode variar entre R$ 4 mil e R$ 13,5 mil, e pode aumentar de ano para ano em torno de 5% a 15%, principalmente devido à inflação, variações no custo dos materiais como cilindros e kits de instalação, e também pelo aumento do custo da mão de obra”, explica Gleyson Cordeiro, técnico em GNV, que faz por mês entre 10 e 20 instalações.

Gleyson diz que o cilindro de GNV não é igual para todos os carros, depende também do espaço disponível no veículo e da capacidade de armazenamento de gás necessário.

“Em média, um carro com um cilindro de 15 m³ (metros cúbicos) pode percorrer de 140 a 180 quilômetros com o gás natural. Porém, essa distância pode variar dependendo do tipo de carro, do peso e das condições do trânsito”, diz Gleyson.

Ainda segundo o técnico, o GNV emite menos poluentes em comparação com a gasolina e é mais econômico, mas ele reconhece que o custo inicial pode ser um entrave para alguns motoristas.

“Por exemplo, um proprietário de veículo que gasta por mês R$ 4 mil em gasolina, com o GNV gastaria R$ 2 mil aproximadamente. O GNV é mais barato que a gasolina ou o etanol, o que resulta em economia significativa no custo do combustível. O motor do carro sofre menos desgaste e aumenta o tempo de uso, além da manutenção baixa”, diz.

Possível desvalorização

Segundo a Alveam (Associação dos Revendedores de Veículos no Estado de Amazonas), a conversão para o sistema GNV pode influenciar na desvalorização de 5% e 10% do veículo, de acordo com o mercado local, se a instalação do kit for feita de forma irregular.

“Tem compradores de carros que preferem veículos em sua configuração original. Se o sistema de GNV foi instalado por uma empresa certificada e segue todas as normas de segurança, o impacto é menor. Instalações de baixa qualidade podem gerar desconfiança e desvalorizar o veículo”, diz Lucciano Libório, presidente da Alveam.

A associação recomenda que o proprietário do veículo guarde os comprovantes de instalação e manutenção para apresentar ao futuro comprador, demonstrando a segurança e o cuidado com o veículo de que a conversão foi feita em uma oficina credenciada e autorizada.

Campanha de incentivo

Em nota, a Cigás (Companhia de Gás do Amazonas) informa que o acréscimo da quantidade de pontos de abastecimento de gás veicular vai ocorrer na medida em que o número de carros convertidos aumenta. Atualmente, há sete pontos de abastecimento em Manaus e a previsão de mais um para 2025.

A companhia também informa que trabalha realizando promoções de incentivo ao uso do gás veicular como a campanha “Faça a Conta. Use GNV”, que financia em até R$ 4 mil a instalação para pessoas físicas e empresas.

Fonte: Amazonas Atual/Foto: Cigás/Divulgação

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