Das 32.819 crianças nascidas vivas em Manaus em 2025, 32.108 foram mantidas com aleitamento materno exclusivo até os seis meses de vida, o que corresponde a 97,8% do total. O índice está acima da média nacional, de 45,8%, segundo dados do Sisab (Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica), do Ministério da Saúde.
O resultado representa um avanço significativo em relação a 2018, quando o indicador era de 27,24%. Segundo a Semsa (Secretaria Municipal de Saúde), o crescimento tem ocorrido de forma contínua nos últimos anos. Em 2024, por exemplo, o índice atingiu 96,84%, superando a marca de 90%.
Estratégias de incentivo à amamentação
De acordo com a técnica do Nusca (Núcleo de Atenção à Saúde da Criança e do Adolescente), enfermeira Ivone Amazonas, o avanço está relacionado a políticas públicas e estratégias de incentivo adotadas na rede municipal.
Entre elas está a Estratégia Amamenta e Alimenta Brasil, do Ministério da Saúde, voltada à qualificação de profissionais da atenção primária. Em Manaus, a iniciativa foi implementada em 106 unidades de saúde, sendo 24 certificadas.
Os profissionais são capacitados para orientar e apoiar mães durante o processo de amamentação, inclusive em situações de dificuldade, como problemas de saúde que possam interferir no aleitamento.
Outra ação é a Iniciativa Hospital Amigo da Criança, promovida pela OMS (Organização Mundial da Saúde) e pelo Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância). No Amazonas, há oito unidades habilitadas e uma em processo de certificação.
Para obter o selo, as maternidades precisam cumprir critérios como incentivo ao aleitamento logo após o parto, proibição do uso indevido de fórmulas e garantia de contato contínuo entre mãe e bebê.
Mobilização social e apoio contínuo
A Semsa também atua em campanhas e ações de mobilização social para incentivar a amamentação. Entre as iniciativas estão a Campanha de Doação de Leite Humano, realizada em maio; o Agosto Dourado; e o Festival da Semana do Bebê.
Outro destaque é o Método Canguru, voltado ao cuidado de recém-nascidos de baixo peso, que incentiva o contato pele a pele e o fortalecimento do vínculo entre mãe e bebê. A estratégia conta com uma equipe formada por nove pediatras, 15 enfermeiros, um nutricionista, um assistente social e um fisioterapeuta.
Benefícios para a saúde infantil
O Ministério da Saúde e a OMS recomendam a amamentação até os dois anos de idade ou mais, sendo exclusiva nos primeiros seis meses.
Entre os benefícios estão o fortalecimento do vínculo entre mãe e filho, a proteção contra doenças, especialmente respiratórias e gastrointestinais, e o fornecimento de todos os nutrientes necessários para o desenvolvimento da criança.
De acordo com a Semsa, mais de 80% do leite materno é composto por água, o que dispensa a oferta de outros líquidos nesse período. O alimento também contém enzimas que auxiliam no funcionamento intestinal e contribuem para o crescimento saudável do bebê.
Fonte: Amazonas Atual/Foto: Fernando Frazão/ABr




