MPF alega invalidade de licença do Ipaam e pede suspensão do Projeto Potássio no AM

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O MPF (Ministério Público Federal) reiterou pedido à Justiça Federal para anular licenças concedidas para o Projeto Potássio Autazes, no Amazonas. Na manifestação, o MPF pede o reconhecimento da competência exclusiva do Ibama Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para fornecer o licenciamento ambiental do projeto, além da suspensão imediata de atividades de pesquisa e exploração mineral da região.

De acordo com o documento, o licenciamento fornecido pelo Ipaam (Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas) é invalido, pois a atividade afeta diretamente terras indígenas, que são de propriedade da União. O MPF ainda alega que o empreendimento está localizado a apenas 2,52 quilômetros da aldeia Soares e faz limite com a Terra Indígena Jauary, impactando o território tradicional do povo Mura.

Também afirma que foram violados os direitos de consulta livre, prévia e informada às comunidades indígenas afetadas, conforme prevê a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Segundo o MPF, as reuniões com os indígenas foram feitas de forma tardia, após a concessão da Licença Prévia pelo órgão estadual.

O órgão também relata que houve episódios de interferência e pressão por parte da mineradora dentro das aldeias para obter a concordância dos indígenas, o que invalida o processo de escuta.

Ação

A manifestação (alegações finais) foi em ação civil pública ajuizada pelo MPF em 2016 contra a empresa Potássio do Brasil, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) e outros órgãos envolvidos no processo de licenciamento do empreendimento minerário em Autazes.

Na ação, o MPF questiona a legalidade do licenciamento ambiental conduzido pelo estado do Amazonas e pede a suspensão do projeto até que as determinações sejam cumpridas.

Em maio de 2024, o MPF entrou com outra ação pedindo que a Justiça suspendesse a licença de instalação da Potássio do Brasil que foi concedida, mas não houve decisão da Justiça Federal até o momento.

Nesse contexto, em agosto de 2025, o MPF apresentou novo pedido de suspensão das licenças para o projeto. Na ocasião, o órgão apresentou novos laudos periciais antropológicos e ambientais, nas áreas de geologia, engenharia florestal e biologia. Os laudos, finalizados no segundo semestre de 2024, demonstraram um cenário de irregularidades e graves defeitos no procedimento, nos estudos ambientais e no respeito aos direitos dos povos afetados.

A Ação Civil Pública nº 0019192-92.2016.4.01.3200 tramita na 1ª Vara da Justiça Federal no Amazonas.

Fonte: Amazonas Atual/Foto: Potássio do Brasil/Divulgação

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